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'Não retomei minha vida', diz vítima quase um mês após ser agredido por mototaxistas no último dia do carnaval de Salvador

Homem espancado por motociclistas fala pela primeira vez sobre crime Quase um mês após ser agredido por mototaxistas no bairro do Cabula VI, em Salvador, uma ...

'Não retomei minha vida', diz vítima quase um mês após ser agredido por mototaxistas no último dia do carnaval de Salvador
'Não retomei minha vida', diz vítima quase um mês após ser agredido por mototaxistas no último dia do carnaval de Salvador (Foto: Reprodução)

Homem espancado por motociclistas fala pela primeira vez sobre crime Quase um mês após ser agredido por mototaxistas no bairro do Cabula VI, em Salvador, uma das vítimas do caso afirma que ainda enfrenta dificuldades físicas e emocionais para retomar a rotina. Em entrevista à TV Bahia, nesta terça-feira (17), o homem, que preferiu não se identificar, contou que segue em recuperação após passar por cirurgia no maxilar e diz temer que os responsáveis não sejam punidos. Ele e um amigo voltavam do último dia de carnaval, na capital baiana, na manhã de 18 de fevereiro, quando foram xingados e agredidos com socos. As vítimas encontraram os suspeitos no circuito Dodô (Barra-Ondina) e acertaram o pagamento de R$ 50 para cada um deles, para que fossem deixados em casa. No entanto, quando chegaram no prédio, ele percebeu que o celular estava descarregado e não conseguiria fazer o Pix. "Eu disse: 'Oh brother, meu celular está descarregado. Tenho que subir rapidinho para colocar uma carguinha e te pagar'. Automaticamente eles já me agrediram. 'Está me fazendo de otário, veado da desgraça'", relatou o homem na ocasião. As agressões foram gravadas por câmeras de segurança. (Veja vídeo ao final da matéria) A vítima contou para a equipe de reportagem da TV Bahia que está com o maxilar imobilizado e fala com dificuldade por causa dos elásticos usados na recuperação. Ele explicou que não pode fazer movimentos com a boca e precisa manter uma dieta líquida. “Eu ainda estou abalado, na recuperação pós-cirurgia, sem poder mexer o maxilar, com a boca travada por conta de elásticos. Estou esperando a justiça ser feita, mas que os agressores não fiquem impunes. É um risco de estarem na sociedade”, afirmou. “Não posso mexer o maxilar de forma alguma. Estou com a boca travada. Para comer, só líquido, por canudo. Só tiro a borracha para higienizar e logo tenho que colocar novamente”. O homem também relatou que ainda não se sente preparado para retomar atividades simples do dia a dia. “Não retomei minha vida. Não estou com a mente pronta para ir à praia, ao shopping, nem ao supermercado. Nem para sair para distrair a mente”, contou. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Além das limitações físicas, ele também precisa evitar exposição ao sol, esforço físico e movimentos bruscos durante a recuperação. Conforme a vítima, as agressões só foram interrompidas após a intervenção de um vizinho, que realizou um pagamento. A partir dessa ação, a polícia conseguiu identificar os dois suspeitos, mas, conforme apuração da TV Bahia, eles ainda não prestaram depoimento. Dois homens são agredidos com socos por mototaxistas em Salvador Reprodução/Redes Sociais Apesar disso, cerca de 30 dias após o crime, os homens ainda não foram ouvidos pela polícia. Familiares das vítimas buscaram informações na delegacia, mas não obtiveram resposta sobre o andamento do caso. Enquanto isso, os suspeitos seguem em liberdade. O amigo da vítima que também foi agredido deixou o local onde morava, no bairro de Cabula VI. O homem afirmou ainda que está sem trabalhar desde o ocorrido e enfrenta dificuldades financeiras. Ele estima já ter gasto mais de R$ 700 com exames, deslocamentos e medicamentos, além de arcar com custos contínuos do tratamento. Além dos prejuízos físicos e financeiros, o homem destacou o impacto psicológico causado pela violência. “O trauma é o mais difícil de superar”, disse. Vítima de espancamento por motociclistas relembra crime quase um mês depois Relembre o ocorrido Na ocasião, a vítima disse também que não conseguiu reagir com o amigo, porque tinham bebido no camarote onde curtiram a festa e não estavam com coordenação motora suficiente para se protegerem. Já veio com socos e pontapés. Foi na hora que eu caí, baixei a cabeça e ele continuou me socando" relatou. As imagens da câmera de segurança mostram o momento em que as vítimas recebem diversos golpes, mesmo caídas no chão. Um dos suspeitos chega a pegar um tijolo no chão e ameaça jogar nos homens, mas recua da decisão após ser impedido pelo outro suspeito. "A nossa sorte é que o vizinho viu a situação e eles correram, porque se não a gente estava morto hoje. Eles pegaram uma pedra para nos agredir". Conforme os homens, os mototaxistas ainda proferiram insultos homofóbicos contra eles e roubaram o celular de um deles. "A gente não esperava passar por essa situação de agressão e é traumatizante, doloroso fisicamente e emocionalmente. É muito difícil para mim". Os suspeitos fugiram após cometerem as agressões. Já as vítimas, foram socorridas e levadas para o Hospital Geral do Estado (HGE). Na época do ocorrido, a Polícia Civil informou que a 11ª Delegacia Territorial (DT/Tancredo Neves) investigava a autoria e motivação das agressões. 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